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jul 12, 2018

Por que Datena, Huck, Barbosa e Justus estão fora da eleição

Foram 12 dias de novela, desde o anúncio com ares de comício à desistência da candidatura ao Senado feita pelo apresentador José Luiz Datena no palco do programa “Brasil Urgente”, da Band, na última segunda-feira.

“Eu resolvi que eu ainda não estou preparado para ajudar o meu país na política brasileira. E a política brasileira depende de gente séria, capaz, que consiga ultrapassar a maior crise que nós já enfrentamos. Então vamos esperar que apareçam quadros capazes de tirar o Brasil desta situação. É difícil? É quase impossível”, afirmou Datena.

A aparição na atração vespertina que ele comandava diariamente antes de se lançar à empreitada política foi o desfecho para idas e vindas no humor do apresentador que quase enlouqueceram seu partido, o DEM.
“O que você imagina de tensão, multiplica por 10”, disse Datena à BBC News Brasil, na última sexta-feira, enquanto ensaiava desistir do pleito, ou, como ele mesmo nominou, “joaquinizar”, em referência ao ex-ministro do STF Joaquim Barbosa que, como Datena, flertou com a entrada na política, mas se retirou de cena antes de chegar a ver seu rosto na urna.

O caso de ambos se soma ainda ao do apresentador da TV Globo Luciano Huck, que protagonizou meses de indefinição e desistiu duas vezes de se lançar à Presidência da República, e ao do empresário Roberto Justus, o primeiro deles a recusar, ainda em janeiro de 2017, assédios partidários para disputar o governo de São Paulo ou mesmo o Palácio do Planalto em 2018.

Pressão da família e questão financeira

Oficialmente, o motivo da desistência de Datena foi a pressão familiar. O próprio apresentador afirmou à Folha de S. Paulo: “A mulher (Matilde) não dorme, chora o dia inteiro pedindo que eu desista. O filho (Joel) diz o tempo todo: ‘Ô pai, para com isso.’ Outro filho, Vicente, também não quer. É difícil. É um jogo contra dentro de casa”.

Seu partido, o DEM, publicamente faz coro sobre o assunto: “Seria muito difícil pra ele fazer campanha com a família azeda em casa, mas não teve mais nada. Se Datena quiser, pagamos a multa (por aparecer na TV em período proibido pela lei eleitoral) para ele e ele volta à campanha”, diz Milton Leite (DEM-SP), presidente da Câmara Municipal de São Paulo.

Capturados por interesses políticos

Mas não foram apenas a família ou o dinheiro que empurraram os neófitos para fora da eleição. A compreensão de que acabariam engolfados pela máquina partidária contou.

No caso de Luciano Huck, houve quem visse na aproximação do PPS, que lhe ofereceu legenda, uma tentativa do partido de sequestrar o movimento Agora!, ao qual ele se engajara, para renovar seus quadros e aumentar a relevância da sigla.

Úteis, mas perigosos

Do ponto de vista dos partidos, outsiders são uma ferramenta útil, mas perigosa. Impopulares, os partidos precisam despertar a simpatia e a atenção dos eleitores de alguma forma. Mas se por um lado interessa às legendas receber os votos e obter os cargos que eles podem trazer, por outro nenhum cacique partidário está disposto a abrir espaço para disputa de controle interno nas siglas.

 

FONTE: BANDAB

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