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mar 25, 2020

Paraná mantém estratégia contra o coronavírus, apesar de discurso do presidente

Um dos principais aliados da Presidência da República entre os
governadores, Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) evitou comentar o
discurso de Bolsonaro, assim como seus secretários, mas, através da
assessoria de imprensa, comunicou que o Paraná não irá alterar a
estratégia de combate à pandemia, mantendo o estado em situação de
emergência e garantindo o funcionamento, apenas, dos serviços
essenciais, com shoppings e escolas fechados e a realização de eventos
proibida, por exemplo. O prefeito de Curitiba, Rafael Grefica (DEM),
também declarou que manterá as medidas de isolamento.
Os secretários estaduais de saúde emitiram uma nota conjunta, dizendo se estarrecidos com o pronunciamento de Bolsonaro. “Não podemos permitir o dissenso e a dubiedade de condução do enfrentamento à Covid 19. Assim, é preciso que seja reparado o que nos parece ser um grave erro do Presidente da República”
, diz a carta. “Ao invés de desfazer todo o esforço e sacrifício que temos feito junto com o povo brasileiro, negando
todas as recomendações tecnicamente embasadas e defendidas, inclusive, pelo seu Ministério da Saúde, deveríamos ver o Presidente da República liderando a luta, contribuindo para este esforço e conduzindo a nação para
onde se espera de seu principal governante: um lugar seguro para se viver, com saúde e bem estar”
, acrescentam os secretários, que dizem não ter qualquer intenção de politizar o problema. “Infelizmente o que vimos em seu pronunciamento foi uma tentativa de desmobilizar a sociedade.

O primeiro senador paranaense a se manifestar sobre o pronunciamento de Bolsonaro foi Flávio Arns (Rede). Ao compartilhar em suas redes sociais a nota da Sociedade Brasileira de Infectologia, que também rebate o
presidente e aponta como, cientificamente, a estratégia de isolamento social tem sido a principal aliada no controle da pandemia, o senador diz entender que o maior desafio é encontrar o ponto de equilíbrio entre as medidas de controle e a proteção à economia, mas destaca que é preciso seguir as recomendações das autoridades médicas e científicas. “E, até agora, elas indicam de forma unânime e no mundo todo medidas de isolamento com base naquilo que nos é mais caro, que é o conhecimento científico-epidemiológico” , arma. “Por isso, o momento exige
responsabilidade, serenidade e confiança nas recomendações da maior autoridade neste momento: a ciência”
, conclui.
À Gazeta do Povo, o senador Alvaro Dias (Podemos), classificou de imprudente e irresponsável o pronunciamento do presidente. “Não se deve confundir determinação, ousadia, coragem, com irresponsabilidade, prepotência e arrogância. Temos que trabalhar solidariedade, compreensão e, sobretudo, buscar a orientação dos especialistas”. Para Dias, o discurso do presidente expõe uma grande contradição entre a posição de Bolsonaro e a do Ministério da Saúde. “O Ministério da Saúde tem um ministro que estudou, tem uma porção de cientistas trabalhando,
contato com os sistemas de saúde e com os outros países. Evidentemente que, entre uma opinião e outra, nós temos que ficar com a do Ministério da Saúde, com a Organização Mundial da Saúde, a comunidade científica.
O discurso dele foi uma trombada na perversa realidade que nós estamos .

O senador ainda avaliou o momento político de Bolsonaro, por conta da repercussão negativa de sua fala entre governadores e no Congresso Nacional .“Ele está cada vez mais isolado. Ele adotou a estratégia, desde o
início, de transferir a responsabilidade sobre tudo de mal que viesse a ocorrer e, aos poucos, foi se isolando. E hoje, com essas posições extemporâneas que ele adota, esse isolamento está cada vez maior”.

 

fonte: gazeta do povo

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