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mar 29, 2018

Oito cidades da região têm menos de um médico para cada mil habitantes

Com uma população total de 156,8 mil habitantes, a região de Cianorte tem 196 médicos em atuação e
residentes, o que resulta em uma proporção de 1,25 por mil habitantes. Em oito dos 11 municípios a
proporção não chega a um. Apenas em Cianorte  (1,9), Cidade Gaúcha (1,05) e Rondon (1,68) há mais
de um médico para cada mil habitantes. Algumas das cidades não tem nenhum médico residente, como é o  caso de São Manoel do Paraná. Os números colocam a  região bem abaixo das médias do Paraná e do Brasil.

Em todo o estado, 23.661 médicos atendem 11,3   milhões de habitantes, com uma proporção de 2,09
profissionais por mil habitantes. No Brasil, há 452,8  mil médicos para 207,7 milhões de pessoas, o que
corresponde a 2,18 médicos por mil habitantes. Os dados fazem parte da pesquisa Demografia Médica
2018, realizada pela Faculdade de Medicina da  Universidade de São Paulo (USP), com apoio do
Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho  Regional de Medicina de São Paulo.

Na avaliação dos Conselhos de Medicina, os números  apresentados demonstram que o aumento da
população de médicos não resolve as dificuldades de  acesso aos serviços de saúde no país, o que decorre
da falta de políticas públicas para fixação em  municípios mais distantes e regiões menos
desenvolvidas. O presidente da Associação Médica  Regional de Cianorte (Amerc), Marco Wille, concorda  com a perspectiva e acredita que o grande problema é a falta de um plano de carreira para médicos.

“Os principais motivos para a falta de médicos em cidades pequenas são a falta de um plano de carreira e a  precariedade de estrutura para atendimento. Muitas vezes esses profissionais preferem ganhar menos em  grandes centros, mas com uma melhor qualidade de vida. Outro problema é a falta de oportunidades de estudo, por exemplo. Por isso, muitos médicos vão para cidades menores mas ficam pouco tempo, porque  saem para fazer residência ou estudar em municípios mais desenvolvidos”, afirmou Wille.
Segundo o médico, a forte influência de políticos em cidades pequenas também atrapalha o trabalho dos
profissionais em alguns casos. “Eu já tive colegas que sofreram perseguição política em cidadezinhas
porque o governo municipal mudou e o novo prefeito não aceitou que o médico continuasse atuando por
ter sido trazido para o local pelo gestor anterior, por exemplo. Essa também é uma questão que deixa os
médicos inseguros e faz com que prefiram ficar em cidades maiores”, disse.
Em Curitiba, a proporção é de 5,69 médicos por mil habitantes, com 45,9% dos profissionais do estado morando na capital.

A Demografia Médica também mostra que nunca houve um crescimento tão grande da população médica no  Brasil num período tão curto de tempo. Em pouco menos de cinco décadas, o total de médicos aumentou   665,8%, ou 7,7 vezes. Por sua vez, a população brasileira aumentou 119,7%, ou 2,2 vezes.

Para o CFM, o aumento total registrado e a má distribuição dos profissionais pelo território nacional têm
relação direta com o fenômeno da abertura de novas escolas e cursos de Medicina no Brasil.
“O grande problema sobre os novos cursos de Medicina abertos no país é a qualidade. Muitas vezes esses
cursos começam a funcionar sem laboratórios adequados ou hospitais e a formação dos médicos passa a ter   algumas deficiências. É melhor ter dois ou três profissionais bons do que 10 que não resolvem os
problemas”, disse Wille.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e outras entidades e organizações
médicas manifestaram-se contrárias à abertura indiscriminada de escolas médicas no Estado. De acordo
com o presidente do Cremesp, Lavínio Camarim, o Governo Federal comprometeu-se a assinar uma
moratória para proibir a abertura de novos cursos de Medicina no país durante cinco anos. “Essa medida
servirá para que os cursos em funcionamento, atualmente, passem por avaliações e adequações que se
fizerem necessárias para a boa formação do estudante de Medicina”, afirmou Camarim, durante o evento
de divulgação do estudo, no último dia 20, em Brasília. (Com informações CFM e CRM-PR).

fonte: tribuna de cianorte

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