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mar 26, 2018

Nova operação na Rocinha deixa mais um morto; é o 9º desde sábado

Uma pessoa morreu na manhã desta segunda-feira (26) durante operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope). A ação acontece dois dias depois da morte de oito pessoas na favela. De acordo com o porta-voz da Polícia Militar, major Ivan Blaz, até o momento um fuzil, modelo 566, foi apreendido pelo Bope na localidade conhecida como Beco 199.

Na manhã de sábado (24), operação policial terminou em confronto e deixou oito mortos. Segundo a PM, policiais do Batalhão de Choque faziam patrulhamento quando foram recebidos por tiros e reagiram. Nos depoimentos na Delegacia de Homicídios, os PMs disseram que faziam combate ao tráfico de drogas.

As famílias dos mortos dão outra versão: a polícia invadiu um baile funk na comunidade e, segundo testemunhas, chegou atirando.

Um fuzil é apreendido por policiais do Bope com um suspeito ferido, em operação na Rocinha  (Foto: Polícia Militar/Divulgação)Um fuzil é apreendido por policiais do Bope com um suspeito ferido, em operação na Rocinha  (Foto: Polícia Militar/Divulgação)

Um fuzil é apreendido por policiais do Bope com um suspeito ferido, em operação na Rocinha (Foto: Polícia Militar/Divulgação)

Um dos mortos é Matheus da Silva Duarte. Parentes e amigos dizem que ele era dançarino de um projeto social. Ele tinha acabado de chegar de uma festa de 15 anos e resolveu dar uma passada no baile funk na sublocalidade da Roupa Suja. Acabou atingido pelas costas.

As armas dos policiais que participaram da operação de sábado foram apreendidas e vão passar por perícia. De acordo com o delegado responsável pelas investigações, não há indícios de execução. A Polícia Civil identificou sete dos oito mortos. De acordo com o major Ivan Blaz, quatro deles tinham antecedentes criminais.

Rocinha vive mais um dia de tiroteios e mortes (Foto: Diego Haidar / Arquivo Pessoal)

Na semana passada, um PM e um morador foram baleados e morreram durante tiroteio na favela. O soldado Filipe Santos de Mesquita foi atingido por quatro tiros durante um confronto entre policiais e traficantes, por volta das 20h30. Ele foi levado para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas morreu logo depois. Na ação, o morador Antonio Ferreira da Silva, conhecido como Marechal, também foi baleado e morreu. Antonio vendia itens usados na localidade do Valão, na Rocinha, quando o confronto começou.

Segundo a polícia, o tiroteio começou quando PMs da UPP Rocinha foram atacados durante patrulhamento pelo Largo do Boiadeiro. O soldado PM Felipe Mesquita foi atingido e socorridos ao Hospital Miguel Couto. Ele não resistiu aos ferimentos. A PM também confirmou que o morador foi baleado na passarela.

enterro de Marechal aconteceu no sábado e deixou muitos amigos e moradores da comunidade emocionados. No entanto, alguns não puderam comparecer ao enterro no Cemitério do Caju, na Zona Portuária, por causa do tiroteio que deixou oito mortos na região.

Polícia identifica 7 dos 8 mortos na Rocinha, no Rio, no sábado

Polícia identifica 7 dos 8 mortos na Rocinha, no Rio, no sábado

Em pouco mais de seis meses, mais de 50 pessoas foram mortas a tiros na Rocinha. A maior parte das vítimas era de criminosos, segundo a Polícia Militar. A comunidade está ocupada desde setembro de 2017. As ações permanentes tiveram início logo após a comunidade ter sido invadida por uma facção rival à que comandava o tráfico local. Desde então, segundo balanço divulgado pela PM, 48 criminosos, dois policiais e uma turista espanhola foram mortos. Onze moradores também ficaram feridos nos confrontos.

O balanço da PM indica ainda que desde o dia 18 de setembro foram presos 105 criminosos e apreendidos 22 menores envolvidos com a criminalidade local. As operações policiais têm como saldo ainda a apreensão de 38 fuzis, três submetralhadoras, seis espingardas calibre 12, 66 pistolas, cinco simulacros de fuzis e três simulacros de pistola além de 69 granadas ou artefatos explosivos diversos. Mais de duas toneladas de drogas foram apreendidas.

O porta-voz da PM, Major Ivan Blaz, disse em entrevista ao RJTV que participam da ocupação na Rocinha cerca de 550 policiais militares. Ele afirmou que não há possibilidade de aumentar esse efetivo.

“Estamos tirando dia a dia as armas e os criminosos dessa localidade. Hoje é fundamental que possamos ter métodos eficazes para podermos retirar esses marginais das atividades criminosas, seja através de projetos sociais, ou seja através de ações policiais”, enfatizou Blaz.

Sobre o saldo de mortos nas ações policiais, Blaz disse lamentar que os criminosos mantenham a ofensiva conta as forças do estado. “Infelizmente os marginais da Rocinha insistem em enfrentar a Polícia Militar”, disse o porta-voz da corporação.

FONTE: GLOBO NOTICIAS

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