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jun 12, 2018

Com passagem pelo Coritiba, paranaense brilha no Japão e exalta Kazu: “Extraordinário”

Até então desconhecido no futebol paranaense, o atacante Cristiano da Silva escolheu o outro lado do planeta para brilhar. Um dos principais jogadores da J-League (primeira divisão do Japão) e artilheiro do Kashiwa Reysol, o jogador recorda da curta passagem pela base alviverde e se inspira em Kazu, ídolo coxa-branca e do povo japonês para fazer ainda mais sucesso no país.

“Joguei um ano e meio nas categorias de base do Coritiba, entre 2005 e 2006, mas nunca atuei pelo profissional. Rodei pelo estado de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, até sair do Brasil. Joguei com o Keirrison, Renan, Marlos, Henrique, Pedro Ken. O time tinha uma safra muito boa e que estão colhendo os frutos”, lembrou o atacante do Kashiwa da curta passagem pelo Alto da Glória, em entrevista ao Mundo Afora da Banda B.

Quando se relaciona o Coritiba ao Japão, é fácil ligar ao nome do icônico Kazu Miura, que vestiu a camisa alviverde em 1989. Ídolo local, o jogador de 51 anos atua como profissional até os dias de hoje e segue inspirando os japoneses. “Quando eu cheguei, em 2013, eu joguei contra pela segunda divisão e ele fez um gol logo no início. Para o povo japonês, é como se fosse o Pelé para nós. Eu tive a oportunidade de fazer amistoso contra eles logo que cheguei. É um cara extraordinário e merece tudo isso. Está com 51 anos e já assisti um treino dele. Ele corre muito e faz por merecer essa carreira que tem”, disse Cristiano.

Antes de chegar ao futebol japonês, Cristiano da Silva rodou por clubes como Toledo, Galo Maringá, Marcílio Dias-SC, Campo Mourão, Metropolitano-SC, Rio Claro-SP, Chapecoense e Juventude-RS, até se transferir para a Áustria, onde defendeu o RB Salzburg, maior time do país.

O atacante chegou à Terra do Sol Nascente em 2013, para defender o modesto Tochigi, da segunda divisão local. E o sucesso foi rápido. Com 16 gols marcados na primeira temporada, se transferiu para o Ventforet Kofu, antes de chegar ao Kashiwa Reysol, um dos principais clubes do país.

Com a camisa dos Sun Kings (Reis do Sol, em português, como o time é carinhosamente chamado), Cristiano manteve a boa fase. Foram 21 gols já no primeiro ano, que transformaram o paranaense em um dos principais atletas do clube. Conquistando a confiança passo a passo, o atacante se tornou capitão da equipe e, no ano passado, foi o brasileiro com maior número de gols marcados na J-League.

“É a minha sexta temporada no Japão. Joguei por um ano na Áustria e conquistei dois títulos pelo clube. Consegui me adaptar rápido ao futebol japonês. No início eu relutei um pouco de mudar e meu empresário me convenceu a ir para o Japão. Foram seis maravilhosos anos, consegui o respeito do povo japonês. Sou muito orgulhoso com a carreira que venho construindo”, disse o jogador.

Com seis gols na atual temporada, Cristiano da Silva tenta manter o bom momento para seguir se destacando e conquistando bons números com a camisa do Kashiwa Reysol. “Eu fico orgulhoso de estar em um clube grande e estar conquistando tudo isso. Em quatro anos de clube, só fiquei fora por suspensão em uma partida no ano passado e fui substituído apenas três vezes em todo esse tempo, já na reta final de partida. E isso me enche de orgulho. Isso que eu queria para a minha carreira, de ter uma história para contar para os meus filhos quando parasse. Estou construindo isso e fico muito feliz”, finalizou.

Confira os trechos da entrevista de Cristiano da Silva ao Mundo Afora:

É o seu sexto ano no futebol japonês e seu terceiro clube. Como tem sido essa sua passagem por aí?

– Eu sempre comento que sinto muito orgulho da carreira que tenho construído aqui no Japão. Tem muitos jogadores que têm a oportunidade de vir para cá já num clube grande. Eu posso dizer que fiz o caminho inverso, pois estava em um time com uma estrutura invejável na Áustria e vim para um clube da segunda divisão, que a minha esposa tinha que lavar a minha roupa de treino em casa. Fiz uma temporada excelente, com 16 gols e 14 assistências, e depois fui para uma equipe pequena da primeira divisão, que é o Kofu. Lá eu me destaquei e cheguei ao Kashiwa Reysol. Todos os anos eu tenho conseguido manter o nível de atuação e isso me deixa orgulhoso. Não caí de paraquedas num clube grande, eu fiz por merecer.

O povo japonês prezam muito pelo respeito, é cultural do país. Mas, para conquistar os japoneses, foi um caminho difícil?

– O japonês é muito receptivo, te ajuda em tudo que precisa, mas é difícil conquistar o respeito deles. No meu clube, hoje, eu sou unanimidade. E isso se conquista com o tempo e com atitudes, da forma como você os trata e a sua vida que leva fora de campo. Eu sempre fui um cara tranquilo, muito família, e isso me ajudou bastante na adaptação. Isso vai muito da personalidade de cada um. Se você chegar aqui e tentar ser muito ‘boleirão’, isso não vinga aqui. Não é só a parte técnica que importa para eles. Muitos jogadores bons já vieram para cá e não vingaram. Eles olham para o extra-campo e o quanto se doa dentro do gramado. Isso facilitou a minha adaptação, por estar sempre lutando muito e querendo vencer.

E no futebol, essa cultura do respeito é levada para dentro de campo também?

– O respeito é levado bastante em consideração para dentro de campo. Eu sou o capitão do time e às vezes dou uma chegada mais forte na frente e ele não me dá cartão. Pelo respeito de me verem em campo e conhecerem, eles seguram esse cartão que pode te prejudicar lá na frente. Isso se conquista com o tempo aqui.

Aqui no Brasil você chegou a atuar pela Chapecoense, em 2009, no início daquele processo de ascensão do clube. Como foi acompanhar esse crescimento? Te surpreendeu?

– Eu posso dizer que o primeiro passo da Chapecoense eu dei junto com eles. Joguei a Série D pelo clube, disputei quase todas as partidas e conseguimos o acesso. Um fato interessante é que, se eu puder resumir em poucas palavras, é um sonho realizado. Desde 2009, quando estava lá, a meta era estar na Série A em 2014. Sempre foram muito corretos, pagaram em dia e foi um clube muito bom de trabalhar. A Chapecoense merece estar na primeira divisão e continuar colhendo os frutos que plantaram lá atrás, pois é um projeto muito bem elaborado e que deu certo. Eu torço muito para que continuem crescendo.

 

A Copa do Mundo começa essa semana e o Japão está no Grupo H, ao lado da Polônia, de Senegal e da Colômbia. Acompanhando de perto essa preparação, você acha que a seleção japonesa pode surpreender?

– Eu acredito que a seleção japonesa tem muitos jogadores bons tecnicamente. O time é muito bom, tem atletas de alto nível, como o Kagawa, Honda e Haraguchi. Pelo grupo que o Japão está, eu acredito que tem grandes possibilidades de passar de fase. O treinador assumiu a pouco tempo, mas conhece muito do futebol japonês. Vou estar torcendo e acredito que eles têm muitas chances de avançar. Esse é o principal objetivo, se classificar. Título, na minha visão, não tem chance, mas, passar de fase, eu acredito.

 

FONTE: BANDA B ESPORTE

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