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nov 29, 2019

Alta do dólar pode durar mais tempo do que os brasileiros gostariam

Uma máxima entre os especialistas em finanças diz que ministro da área econômica não opina sobre dois assuntos: câmbio e taxa básica de juros. A resposta à quebra dessa regra draconiana vem pela mão pesada do mercado, que entra em ação para lembrar que não existe um pronunciamento correto nesse assunto — o correto é não falar. O ministro da Economia, Paulo Guedes, na segunda-feira 25, deu um recado aos brasileiros preocupados com a recente alta do dólar. Em resposta a um jornalista em Washington, Guedes disse: “É bom se acostumar com câmbio mais alto e juro mais baixo por um bom tempo”. Imediatamente, a moeda brasileira encolheu quase 2% e o dólar fechou em 4,24 reais, o maior valor nominal desde 1994. No dia seguinte, a moeda americana abriu o mercado em 4,27 reais, encolheu um pouco de valor e fechou na quarta em 4,26 reais, cravando outro recorde nos 25 anos de existência da moeda brasileira. Tal oscilação é alarmante para todos os brasileiros que pretendem viajar para o exterior ou que fizeram compras em moeda americana em seus cartões de crédito. Como o cálculo de câmbio leva em conta taxas de transferência de divisas, impostos, além das margens de corretagem dos agentes financeiros, é bem provável que o valor de conversão para as operações feitas na última semana chegue bem perto de 5 reais. Ou seja, quem comprou um iPhone 11 nos Estados Unidos no crédito por 700 dólares no fim de outubro vai pagar por volta de 3 500 reais na fatura — quase 200 reais a mais do que se o valor de conversão fosse o do dia da compra.

Por mais dolorosa que possa parecer, a frase de Guedes faz sentido e funciona como uma espécie de aviso para quem tem esperança de encontrar câmbio mais favorável na temporada de férias daqui a um mês. E mais: pela primeira vez desde a criação do real, a atual disparada do dólar, na verdade, pode ser uma boa notícia para o país. O plano de Guedes é manter o dólar mais caro e a Selic mais baixa por um período longo. Isso vai estimular investimentos em infraestrutura e dar fôlego às indústrias exportadoras. Com esse arranjo, o governo pretende que os especuladores internacionais que hoje operam no mercado deem lugar a investidores interessados em aplicar recursos em infraestrutura, produção de bens e no setor de serviços. Como resultado, Guedes espera um maior impacto positivo no PIB e um processo de crescimento mais sustentável — sem o chamado voo de galinha. Entre se preocupar com os desejos da classe média, que gosta do real valorizado para fazer compras em Miami, e as necessidades do setor produtivo, que precisa ganhar competitividade para impulsionar as exportações com uma moeda mais baixa, o ministro da Economia deixou claro qual é a sua opção.

 

fonte: veja

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